Conseguir um produtor, uma gravadora e um empresário para bancar um disco é o sonho de muitos artistas independentes do Brasil em diferentes gêneros musicais.

Com a ascensão de Pabllo Vittar, Gloria Groove, Johnny Hooker e diversos outros cantores LGBTQI+, o mercado fonográfico brasileiro abraçou uma parcela dessa comunidade, trazendo visibilidade para um trabalho de luta contra os padrões.

Por outro lado, uma fração menos comercial e totalmente independente ainda persiste para conseguir um lugar ao sol. É assim que o cantor pop do interior do Paraná, Marc Yann, também se sente.

Juntando verba de outros trabalhos fora do meio musical, toda renda do jovem paranaense é revertida na música e na produção de conteúdo para internet, como: clipes, covers e outros materiais. Até hoje o retorno foi quase zero.

“As pessoas acham que é fácil gravar um super clipe cheio de figurinos, dança e esquecem que isso muitas vezes custa o valor de um carro, de uma casa e nenhum artista independente que gerencia a própria carreira consegue fazer algo assim nos primeiros trabalhos, ainda mais sem apoio”.

Marc Yann divulgou recentemente o primeiro álbum totalmente autoral da carreira: “Sem Lágrimas”, com 15 faixas que passeiam entre o pop, funk, arrocha, disco e eletrônico.

“Divulguei dois clipes que precisei juntar quase um ano da minha receita para conseguir produzir, fora toda verba de divulgação do material. Me sinto excluído e as vezes remando contra a maré porque escuto toda vez: ´se fosse magro e malhado já estaria fazendo sucesso´. Não tenho nada contra quem tem esse estilo de vida e cada um escolhe a forma de ganhar seu brilho, mas é notável o preconceito e machismo vindo de quem é um pouco diferente dos padrões midiáticos desse universo pop”.

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Só que Marc Yann não desistiu ainda por enxergar uma luz nesse cenário sombrio atual do país. Lançando o terceiro single do álbum, dessa vez a faixa título do projeto ganha clipe explorando a liberdade de quem você quiser ser.

“Faço meu trabalho pra quem não se sente representado ou visto, para quem se sente rejeitado assim como eu. Sei que existe um lugar para nós e vou chegar lá, sendo uma poc afeminada conquistando o sonho de viver pela música nesse país homofóbico”.

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