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“Malévola: Dona do mal” uma história sem inflexões dramáticas

A segunda parte do filme, estrelada por Angelina Jolie, adiciona Michelle Pfeiffer em um ótimo nível. Mas está perdido em uma história sem inflexões dramáticas

Como se fosse uma aposta escondida em algum lugar, em vez do que a literatura policial chamaria de favelas, uma parte de Hollywood coloca sobre a mesa o Coringa, o outro rival leal, Malévola: Dona do mal.

O segundo acaba de ser lançado no Brasil e o primeiro há algumas semanas. E eles são talvez os símbolos mais salientes do cinema que parecem estar chegando, mesmo nas grandes ligas como Hollywood. A primeira – minoria – aposta no cinema praticamente como foi concebida: com o truque mecânico do celulóide, no qual homens e mulheres eram proprietários finais e totais e responsáveis pela manipulação envolvida no artifício cinematográfico. A segunda aposta é tudo – ou quase na direção da arte, onde, em um dilúvio que já é assustador, o algoritmo decide mais do que a experiência humana (seja o que for).

Essa é a sequela de Maleficent: uma melhoria das técnicas de algoritmos de computador já utilizados na primeira parcela. Por isso, afeta acreditar que a ilusão é a realidade (até a verdade), à vista – como o resto dos sentidos – é mais agradável e até divertida. No entanto, o script aparece como um mero argumento, uma sinalização que indica como seguir o enredo, e não como uma história com suas inflexões dramáticas, conflitos e pontos altos.

É verdade que este não é um atributo exclusivo de Malévola, e que existe praticamente desde o final do século passado. Mas com Joker ainda na retina, o sentimento é mais contrastado. A tal ponto que, justamente por causa dessa desconfiança do que se vê aliviar tanta tecnologia, a pessoa desconfia de sua própria percepção e passa a visitar as páginas e sites da Internet que costuma consultar, que existem por afinidade, mas também por uma boa argumentação critérios dissidentes a possuir. E ele encontra uma estranha sensação de satisfação e tristeza: pontos de vista à beira da unanimidade sobre a indiscutível melhor fatura de “Malévola: Dona do mal” em relação ao seu antecessor; pontos de vista à beira da unanimidade sobre sua insanidade.

Também há coincidências na boa contribuição de Michelle Pfeiffer, e menos sobre as cirurgias que a aproximam de uma pessoa sem idade, apesar de ser mãe de Malévola de Angelina Jolie – algo que faz parte desses dois cinemas em conflito mencionados- , embora sirva para entender melhor a maligna.

As dúvidas sobre as dúvidas da própria avaliação se dissipam ao descobrir que Malévola é dirigido por Robert Stromberg, cujos maiores pergaminhos foram ganhos com … sim, o design da produção.

A batalha continua.

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