Quando você é uma sugar mommy “Ele tem idade para ser o seu filho”

Mesmo diante de críticas, elas escolheram viver felizes com rapazes mais novos

“Minha primeira experiência com alguém mais jovem foi com o meu personal. Eu estava na casa dos cinquenta e ele era 18 anos mais novo. Toda aquela energia, alegria de viver, foi o máximo! Bem diferente dos outros relacionamentos que tive com homens da minha faixa etária depois do divórcio. Fiquei tão empolgada que resolvi fazer desta vivência uma prática constante. A partir daí, me inscrevi em um site de relacionamentos onde há espaço para mulheres mais velhas que buscam homens jovens. Minha vida nunca mais foi a mesma! Hoje, sou uma sugar mommy e acho graça da denominação. Escolho os meus parceiros, saio com eles e, se rolar química, ficamos juntos enquanto for divertido. Já tive três relacionamentos assim e estou partindo para o quarto. Não estou interessada em relações duradouras, quero aproveitar o momento! Sempre encontro pessoas interessantes que, muito além das vantagens financeiras que sou capaz de proporcionar, também estão atrás de experiências de vida diferentes”, conta Márcia R.M., carioca, designer de interiores de 54 anos.

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Silvana F., 48 anos, empresária, confessa que teve depressão depois do fim de um casamento que durou 25 anos. “Meus filhos já estavam formados, eram independentes, morando no exterior. De repente, me vi sozinha, sem marido, sem muitos amigos. Minha vida girava em torno das amizades e programas do meu ex. O sentimento foi de perda total. Como casei muito cedo, fiquei sem referências, solidão profunda. A terapia me ajudou e reconquistei minha autoestima. Percebi que ainda era jovem, bonita, tinha uma boa condição financeira e muita coisa para viver. Se meu ex encontrou outra pessoa, eu também poderia! Não deixei por menos. No início, foi uma forma de provar a ele que eu ainda era atraente, uma mulher sedutora. Desfilei na frente de amigos comuns com um cara 20 anos mais novo. Perguntavam se era meu filho e eu, orgulhosamente, disse que era meu namorado! Garanto que nunca fizeram este tipo de pergunta para o “falecido” com a sua namoradinha! Meses depois, conheci a plataforma Meu Patrocínio e me transformei em uma verdadeira “mommy”. Estou com o meu atual baby há seis meses. Viajamos juntos, nos divertimos muito e compartilhamos as nossas vidas. Ele é fotógrafo, tem 30 anos e todo o meu apoio em termos de desenvolvimento profissional. Quero que ele cresça na carreira e não me sinto constrangida por ajudá-lo neste sentido. Até cogitamos morar juntos, mas acho que ainda não estou preparada”.

A responsável por introduzir o conceito das “sugar mommies” no Brasil, Jennifer Lobo, fundadora e CEO da plataforma Meu Patrocínio, diz que ainda existe muito preconceito com relação às mulheres que estão no comando de uma relação, principalmente com parceiros mais jovens. “É algo que os homens não experimentam nas mesmas condições. Eles conquistam mulheres mais novas e ninguém fica questionando se existe interesse financeiro, se não têm receio de alguém perguntar se é filha ou se comentários maldosos incomodam. Para eles é algo natural, mas as mommies ainda preferem manter certo anonimato. Mulheres poderosas, independentes, donas das suas vidas, empoderadas e tão preocupadas com o que os outros vão pensar. Já está mais do que na hora de mudarmos isso! Acabar com este tipo de machismo e aceitar que as condições e direitos devem ser iguais para ambos”. Com mais de um milhão de usuários na plataforma, os sugar daddies – homens maduros e bem-sucedidos – totalizam cerca de 200 mil inscritos, enquanto as mommies somam 34 mil. “A diferença ainda é muito grande e não traduz a representatividade feminina na sociedade. As mulheres precisam perder o medo de assumir os seus relacionamentos, só assim conseguirão se impor e demonstrar que também têm o poder de fazer escolhas diferentes daquelas que esperam delas. Já passaram por experiências anteriores, casaram, são mães, mas, acima de tudo, são mulheres! Aquelas que quebram determinados tabus, como o da idade, merecem todo o nosso respeito”, finaliza.

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