O desfecho da superprodução turca Guerra das Rosas (Güllerin Savaşı) continua dividindo opiniões e gerando intensos debates entre os apaixonados por dramalhões internacionais. Rompendo com o tradicional clichê do “felizes para sempre”, a saga da jovem Gülru encerra sua trajetória com uma lição severa sobre os custos da ambição, do ódio e da sede irremediável de vingança.

Ao longo da trama, o público acompanha a metamorfose impressionante de Gülru. A jovem humilde e sonhadora dá lugar a uma mulher fria, calculista e obcecada em superar sua maior rival e referência de vida: a estilista Gülfem Sipahi.

A descoberta de que Gülru e Gülfem são, na verdade, irmãs biológicas adiciona uma camada dramática ainda mais profunda ao confronto entre as duas.

Cega pela raiva, Gülru expõe a rival perante a mídia turca, destrói a reputação de sua própria irmã e toma para si todo o patrimônio, os negócios e o prestígio da família Sipahi.

Com a morte de Gülfam e os desdobramentos da tragédia com Gülfan (Gülru se consolidando após a morte de Gülfen e o apoio dos bens deixados por Gülfan/Gülru), a ex-camponesa se torna a designer mais rica e poderosa do país.

O romance conturbado com o médico Ömer (Barış Kılıç) é o maior ponto de dor no caminho de Gülru. No meio da novela, a protagonista chega a ensaiar o fim de sua vingança contra a família Sipahi para se entregar ao amor de sua vida, mas sofre uma decepção devastadora.

Ömer descobre os jogos da amada e, tomado pela mágoa, tem uma noite de paixão com Gülru apenas para abandoná-la em seguida, partindo para os Estados Unidos ao lado de outra mulher.

A mágoa endurece de vez o coração de Gülru. Mesmo quando Ömer arrepende-se e passa a lutar pelo perdão da jovem na reta final, a designer já está completamente consumida pelo papel de “Gülru Sipahi”.

No momento decisivo, Gülru percebe que não consegue mais voltar a ser a garota doce do passado e recusa a oportunidade de recomeçar ao lado do médico.

O peso da solidão no topo do império

O capítulo final reserva um choque de realidade para a protagonista. Enquanto caminha vitoriosa e coberta de joias pela antiga mansão de seus patrões, Gülru se depara com uma garotinha inocente do bairro que afirma ter o sonho de crescer para “ser exatamente como a grande Gülru Sipahi”.

É nesse exato instante que a ficha da magnata finalmente cai. Ao ver a criança espelhar sua obsessão destruidora, Gülru compreende a tragédia de suas escolhas.

Apesar de ter conquistado todo o dinheiro e o reconhecimento com os quais sempre sonhou, a protagonista percebe que perdeu o amor de Ömer, a paz de espírito e a própria humanidade.

O folhetim termina com Gülru no topo de seu império de moda, amargando a completa solidão e o vazio de ter se tornado tudo aquilo que um dia combateu.

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