O desfecho de Guerra das Rosas promete deixar os fãs de dramas turcos com o coração partido e uma ponta de revolta. Ao contrário dos tradicionais finais felizes que marcam as grandes produções televisivas, o destino reservado para o galã Ömer é marcado pelo isolamento absoluto, abandonando tudo e todos para trás após cansar de lutar contra a ganância cega de Gülru.

Durante toda a exibição da novela, Ömer se consolidou como o porto seguro e o grande defensor de Gülru. Ele enfrentou preconceitos, intrigas familiares e até o casamento forçado da amada com Cihan para tentar mantê-la por perto. No entanto, o comportamento passivo do mocinho em momentos cruciais sempre dividiu as opiniões do público.

Muitas vezes, quando a situação exigia uma atitude firme e palavras claras, Ömer escolhia o silêncio, o que acabou pavimentando o caminho para os desencontros do casal. Mesmo ciente de que Gülru estava se transformando em uma mulher egoísta, fria e extremamente calculista ao longo da trama, o médico nunca conseguiu arrancar esse sentimento de seu peito.

No último capítulo da produção, o público chega a acreditar em uma reconciliação definitiva. Após tantas tempestades, os dois finalmente se reencontram e parecem dispostos a viver o amor que foi negado por tanto tempo. Porém, a obsessão de Gülru em destruir seus rivais e alimentar seu próprio ego fala mais alto.

A mocinha, que já não guarda nenhum traço da jovem inocente do passado, finge estar exausta e recusa um convite de jantar de Ömer. Desconfiado da desculpa esfarrapada, ele decide seguir os passos da companheira e presencia uma cena humilhante.

Gülru vai secretamente até a mansão de Cihan. Usando seu poder de persuasão, ela encurrala o rival e o força a assinar um documento transferindo todos os bens e posses para o nome dela. Ao cruzar os portões da propriedade, Gülru dá de cara com Ömer, que a aguardava no estacionamento com os olhos cheios de decepção.

Pressionada por Ömer, que exige saber o motivo de tanta sujeira e obsessão por dinheiro, Gülru não demonstra qualquer arrependimento. Pelo contrário, ela assume sua nova faceta ambiciosa e decreta que aquela menina boba do passado deixou de existir. Ela escolheu o topo do mundo, mesmo que isso custasse sua alma.

Arrasado, Ömer chora copiosamente ao perceber que perdeu a mulher que amava para o monstro da ambição. Em uma despedida dolorosa, ele faz uma promessa eterna, mas impõe um limite definitivo:

“Eu vou continuar te amando pelo resto da minha vida, mas eu não posso mais lutar contra você mesma. Você mudou.”

Enquanto personagens secundários como Mert conseguem reconstruir suas vidas e encontrar uma fresta de felicidade, o protagonista de Guerra das Rosas recebe o pior castigo dos roteiristas.

Nos minutos finais da novela, Ömer decide que não há mais nada para ele naquela cidade. Ele recolhe seus pertences, dá as costas para o império vazio conquistado por Gülru e entra em um táxi rumo ao desconhecido. Do alto da sacada de sua nova mansão, Gülru sequer percebe a partida do homem que deu a vida por ela. Ömer olha para trás uma última vez e some no horizonte, completamente sozinho.

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A escolha de deixar o protagonista na mais profunda solidão é um soco no estômago de quem acompanhou a novela por meses. Ömer foi honesto com seus sentimentos, salvou Gülru de inúmeras enrascadas e merecia uma chance de recomeçar, talvez ao lado de um novo amor. O roteiro preferiu punir o público com a melancolia, enquanto Gülru terminou rica, vitoriosa em seus planos de vingança, mas completamente vazia por dentro.

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