AMOR NATURAL – Série LGBTQIA+, preta e periférica estreia dia 28/6 no YouTube do Sesc

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No aclamado espetáculo de teatro “Cuidado com Neguin”, o ator, diretor e dramaturgo carioca Kelson Succi expôs nos palcos o “corre” de um neguin preto, pobre e favelado no “quadrado branco” da cidade do Rio de Janeiro. Na última cena da peça, ele enfatiza: “Eu gostaria de falar de amor”. Agora, anos depois, Succi se une ao ator e pesquisador LGBTQIA+ Vinicius Teixeira, para traduzir esta frase e necessidade no primeiro projeto audiovisual do selo do Neguin: a série ficcional, afirmativa, LGBTQIA+, preta e periférica “Amor Natural”, que estreia no próximo dia 26 de junho, no YouTube do Sesc Rio.

Dividida em cinco episódios curtos, de até 10 minutos, que serão lançados semanalmente, “Amor Natural” contará uma história de amor moderna e afrofuturista vivida entre os protagonistas Andrei (Succi), Guilherme (Teixeira) e Maria Júlia (interpretada pela atriz e influenciadora digital Érica Ribeiro), evidenciando temas como arte, violência, poesia, futebol, racismo, a efemeridade dos relacionamentos pela internet, música e, claro, amor.

Uma caótica e quente Zona Norte do Rio de Janeiro é o cenário dessa trama. Andrei é artista plástico, joga futebol, é morador do Complexo do Alemão e é a representação perfeita do preto livre. Guilherme é designer, apaixonado por arte e morador da Tijuca. Eles se conhecem num aplicativo de “pegação gay”. E o que era para ser apenas uma “fast foda” se torna um encontro profundo repleto de identificações, poesia e afeto.

Após se conhecerem, eles entendem que estão apaixonados. Porém, os dois precisam lidar com a realidade e com as diferenças entre seus mundos. Completando o time de protagonistas está Maria Julia, uma empresária ousada, cheia de coragem e sensibilidade que tem muito orgulho de onde veio e que trabalha com Andrei.

Kelson Succi e Vinícius Teixeira são Andrei e Guilherme. Foto de Aloysio Araripe

“Em tempos em que ainda precisamos lutar para ver nossas histórias nas telas, “Amor Natural” se apropria da ficção para contar uma história real de amor que além de LGBTQIA+, preta e periférica, expõe as nossas visões desses temas e as mazelas que ainda enfrentamos como o racismo, o machismo, a homofobia e a transfobia, que atravessam as relações cotidianas e amorosas” afirma Succi.

Tudo isso conduzido sob uma narrativa assertiva, documental e romântica com roteiro escrito por Kelson Succi – que também assina a direção – com colaboração de Vinícius Teixeira e Erica Ribeiro. Ainda integra o elenco o ator Reinaldo Junior, que viverá Carlinhos e a atriz trans Lux Nègre, escolhida numa convocatória pública via Instagram do projeto “Cuidado com Neguin”.

A trilha sonora também tem papel fundamental no desenrolar da história. A canção “afro futurista”, de Fran e Gilberto Gil, foi a escolhida para a abertura da atração, resumindo os encontros e desencontros desses personagens. A faixa “bateu forte”, também de Fran, é outro destaque. Já a trilha original é assinada pelo músico carioca Fenanu.

Amor Natural: arte de Ronieri Gomes

Como contar histórias que não são contadas

Para o idealizador Kelson Succi, “Amor Natural” é uma obra que dá voz às inquietações de muitos Andreis, Guilhermes e Marias Júlias, que não têm a chance de ter suas histórias contadas na dramaturgia contemporânea.

“Ao ambientar os acontecimentos na Zona Norte e com uma proposta para o YouTube, a série quer alcançar espectadores favelados, pretos, LGBTQIA+, suburbanos e fluminenses, chegando até mesmo em outras periferias pelo Brasil. Nossa intenção é que essas pessoas vejam as suas histórias e se sintam representadas” – afirma.

Vinícius Teixeira, também idealizador e protagonista, revela ainda que muitas das histórias e olhares presentes na série são inspirados nos próprios atores.

” Sou gay e filho de militar. Durante muito tempo reprimi os meus afetos e a minha sensibilidade. Tive essa barreira e descobri na arte uma saída para me transformar e ver como essas relações eram naturais e possíveis. A comunidade LGBTQIA+ cresce sem poder viver e entender o que, de fato, é o afeto, o amor. Muito disso, desse nosso olhar, dessas nossas experiências, também estão na série, que vai abordar muito essa questão que a própria comunidade carrega por não poder se desenvolver numa sociedade heteronormativa. Estamos falando sobre a gente e para a gente” – diz Vinicius Teixeira.

Vivendo Maria Júlia na trama, a influenciadora baiana Érica Ribeiro frisa a importância de ampliarmos as narrativas e os espaços – especialmente na internet – para atrações audiovisuais como “Amor Natural”.

Kelson Succi e Vinicius Teixeira. Foto de Aloysio Araripe

“Ainda é muito limitada a participação de negros na teledramaturgia e no audiovisual. É um espaço extremamente branco e que não amplia as narrativas. Se não positivarmos nossas histórias e trajetórias, não teremos espaço.  Precisamos entender que podemos existir para além dessas narrativas limitadas” – conclui.

A série “Amor Natural” tem patrocínio do Sesc Rio e promoveu um financiamento coletivo para a sua realização, que contou com 89 apoiadores. Toda a equipe de profissionais é formada por pessoas negras, trans e/ou LGBTQIA+.

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