Quem acompanha o universo da televisão e das redes sociais já percebeu um fenômeno intrigante e, para ser sincero, bastante irritante: o público de novelas parece que só sabe reclamar. Não importa o esforço dos autores ou o investimento das emissoras, a internet sempre encontra um motivo para cancelar a produção da vez.

Se a trama das 21h aposta em um enredo denso, realista e com uma história legal, o veredito do sofá é implacável: “Ah, é muito violenta”, “Nossa, a fotografia é muito escura”, ou “O mundo já está violento demais para ver isso na TV”. Reclamam de absolutamente tudo.

A hipocrisia ganha contornos ainda maiores quando a emissora resolve dar uma guinada de 180 graus para atender aos pedidos do público. Quando o horário nobre ou a faixa das 19h coloca no ar uma comédia alegre, solar, leve e colorida, adivinha o que acontece? A mesma fã-base corre para o X (antigo Twitter) para destilar veneno, decretando que a novela é “bobinha demais”, “infantil” ou “sem conteúdo”.

O nó na cabeça de qualquer analista de TV aperta quando olhamos para o comportamento desse mesmo público nas plataformas de streaming como Netflix, HBOMax ou Prime Video:

No Streaming: O espectador maratona séries extremamente sangrentas, violentas, bizarras e, muitas vezes, com roteiros furados e totalmente sem contexto. Para o streaming, é considerado “cult”, “moderno” e “obra-prima”.

Na TV Aberta: A novela com o mesmo nível de complexidade ou leveza é taxada sumariamente como “um saco” ou “ultrapassada”.

A sinuca de bico da Globo: Audiência vs. Patrocinadores

É exatamente por causa dessa matemática que não fecha que a TV Globo se encontra em uma verdadeira corda bamba criativa. Antigamente, a emissora ditava a tendência; hoje, ela vive em um eterno “ai, meu Deus”, tentando antecipar os gostos de um público que simplesmente não sabe o que quer.

Para piorar a situação, fazer televisão aberta no cenário atual não é apenas buscar pontos no Ibope, mas sim garantir a sobrevivência comercial. Como a audiência do sofá está cada vez mais fragmentada e difícil de agradar, a emissora muitas vezes se vê obrigada a engessar suas narrativas. O foco passa a ser criar novelas que agradem prioritariamente aos patrocinadores e ao mercado publicitário, evitando polêmicas e apostando em fórmulas excessivamente seguras (e às vezes sem sal) para não espantar as grandes marcas.

Afinal, como entender esse povo?

A verdade é que o formato de folhetim carrega o peso de ser uma paixão nacional e, por isso, todo mundo se sente no direito de ser diretor, roteirista e crítico cultural. O streaming oferece o selo do “gourmet”, tirando a culpa do espectador de consumir histórias ruins, enquanto a novela aberta sofre com o preconceito do próprio público que a consome.

E agora, leitor do Atitude e Visão? Você concorda que o público de novela anda chato demais e reclama de barriga cheia, ou acha que a Globo é quem perdeu a mão na hora de contar boas histórias? Deixe a sua opinião sincera aqui embaixo nos comentários e vamos abrir esse debate!

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