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Vítima de abuso na infância e tendo enfrentado na família a realidade do alcoolismo e limitações de uma pessoa com deficiência física, influencer Tati Sincera conta como superou a síndrome do pânico

Olhei para a possibilidade de morrer e percebi que nunca desejamos morrer, mas acabar com alguma dor’, relata a especialista em desenvolvimento pessoal que deu a volta por cima através do autoconhecimento.

Especialista em Desenvolvimento Pessoal, a trajetória de Tati Sawazki, conhecida como Tati Sincera nas redes sociais, não foi fácil. A influenciadora usa de sua experiência pessoal de abuso aos 7 anos de idade no elevador do prédio onde uma tia morava e a superação do pai com alcoolismo junto a inspiradora história da mãe com deficiência física, para ajudar as pessoas a vencerem medos e desafios, assim como ela mesma conseguiu. Tati, que chegou a se automutilar e desenvolveu síndrome do pânico, conta como conseguiu dar a volta por cima:

“Cresci com a necessidade de carregar o mundo nas costas e ser a forte porque achava que as pessoas precisavam de mim para tudo. Isso me trouxe vários comportamentos prejudiciais como excesso de trabalho, autocrítica, dificuldade de aceitar ter momentos de descanso, o que foi gerando vários reflexos a longo prazo. Precisei da ajuda dos remédios para equilibrar as químicas do corpo, que pelo excesso de tristeza e stress estavam todos desregulados. Meu médico, uma pessoa muito lúcida, me disse: ‘os remédios te ajudam mas sua dedicação em encontrar apoio psicológico é o que realmente será sua cura’. Então ele me ensinou que tomar remédio para síndrome do pânico não significaria depender dele a vida inteira”, explica Tati que mergulhou no mundo do autoconhecimento e achou ferramentas importantíssimas para superar os problemas:

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“O caminho para cura é sempre muito personalizado, os resultados, benefícios e o tempo de resposta podem ser diferentes para cada um, porém algumas coisas me ajudaram grandiosamente no processo: a programação neurolinguística, as constelações sistêmicas familiares, exercícios de respiração consciente, a terapia ayurvédica com a parte de alimentação e rotina, pois nós sofremos efeitos da falta de pessoalidade na nossa nutrição e estímulos mais adequados pro nosso biotipo e estilo de vida”, conta.

A especialista diz ainda que muitos livros também foram essenciais neste processo de superação: “Muitos materiais me ajudarem a reconhecer os conflitos que me fizeram chegar a este ponto, como ‘O poder do agora’, do Eckhart Tolle, ‘Além do Aparente’, da Olinda Guedes, que aliás se tornou minha professora de constelação, ‘Êxito na vida, êxito na profissão’, de Bert Hellinger e ‘O cavalheiro preso na armadura’, de Robert Fisher”.

Os sintomas da Síndrome do Pânico

A influenciadora conta que hoje consegue enxergar vários pontos que no começo eram considerados pequenos mas que já demonstravam que a longo prazo seriam preocupações sérias e reitera que os sintomas e as reações das pessoas que sofrem de ansiedade, pânico, depressão e distúrbios, por vezes são muito parecidas, porém suas causas sempre serão únicas e individuais, relacionada as experiências e vivências de cada um.

“Dormi de luz acesa por mais de 20 anos. Sempre queria subir escada nos prédios para não pegar elevador, parecia uma pessoa super disposta, mas o medo fazia isso. Tinha 2 ou 3 empregos para dizer que não podia viajar, pois só de pensar em pegar a estrada eu já pirava. Na adolescência chegava a arrancar os cabelos e me machucava no rosto e no corpo para ficar feia e ninguém mais abusar de mim.Com meus 24 pra 25 anos não conseguia mais passar na porta giratório do banco, não entrava mais em mercados, nem tinha vida social, tudo porque o medo me perseguia o tempo todo. Parei de comer, emagreci 9kg em 23 dias e comecei a considerar que viveria nesse medo até a morte e aí começaram as crises de falta de ar e as sensações de ataque do coração”, desabafa.

A especialista em desenvolvimento pessoal diz que o estopim foi quando foi parar no hospital por conta de uma infecção renal e percebeu que havia a possibilidade de morrer: “Odiava me ver magra então comecei a fazer coisas absurdas para ganhar peso e fingir que não estava doente mentalmente! Então acabei tendo um crise renal que virou um pielonefrite e fui para o hospital com possibilidade de morte pela magnitude da infeção! Então lá olhei para a possibilidade de morrer e aquilo acabar de vez e percebi que nunca desejamos morrer, mas acabar com alguma dor! Lembrei que nada que não tenha nascido comigo precisaria fazer parte da minha vida para sempre, pois como entrou poderia sair, e aí começou a procura.”

Para Tati, um dos “segredos” de conseguir superar a síndrome do pânico está em tentar compreender a doença e não tentar controla-la: “As minhas piores crises foram as que eu percebia que estava entrando e pânico e queria controlar aquela descarga e nesse momento eu caia num buraco negro. Mas nas vezes que eu saia dele mais rapidamente, era quando eu estava presente e dizendo a mim mesma: ‘você já passou por isso’ e começa enumerar as coisas que eu já sabia para ajudar na crise! Não gosto de fomentar nem a cura nem o controle para não dar impressão que a nossa luta diária pra manter a rotina saudável acabou. Não adianta ficar bem 1 dia e voltar a ter os mesmos hábitos, comportamentos e atitudes que nos trouxeram até essas dores emocionais. Por isso acredito que quanto mais a gente se conhece, mais driblamos de forma consciente as coisas que nos adoecem”.

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