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Inspirada na clássica ‘La Ronde’, peça ‘O Que Vão Dizer de Nós’ mergulha no universo LGBTQIAPN+

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Manchete em jornais do mundo todo no fim dos anos 1990, por causa da ousadia, alta voltagem sexual e a nudez de Nicole Kidman na temporada londrina do espetáculo “The Blue Room”, releitura de “La Ronde”, de Arthur Schnitzler, a clássica peça do autor austríaco inspirou uma inovadora versão, rebatizada como “O que Vão Dizer de Nós”, sob a direção de Miwa Yanagizawa e Luisa Friese — idealizadora e responsável pela dramaturgia. A dinâmica é a mesma das outras montagens – a libido de casais entre quatro paredes, espiados pelo buraco de uma fechadura –, mas, desta vez, a heteronormatividade e a objetificação feminina saem de cena para dar lugar ao universo LGBTQIAPN+, com os atores Michel Blois Thiago Catarino se revezando em dez personagens. A estreia é dia 19 de abril no Espaço Sérgio Porto. O projeto é contemplado pelo Programa de Fomento à Cultura Carioca – FOCA, por meio da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e da Secretaria Municipal de Cultura

Naturalista em ação, mas não na estrutura, a peça espirituosamente debate o choque cultural entre diferentes classes sociais, subjetivamente conflitantes, que se entrelaçam em encontros amorosos fortuitos. “Eu sempre quis trabalhar em cima da premissa de ‘La Ronde’ porque acho a ideia da peça genial. Quando comecei a conceber o projeto, entendi que seria muito mais importante para a atualidade fazer a peça com um casal de homens, substituindo assim a costumeira heteronormatividade imposta pela sociedade em geral. Seria quase que vital colocar esses casais gays protagonistas se relacionando, longe dos estereótipos já massivamente representados na nossa cultura. É um desejo de contribuir para naturalizar verdadeiramente o relacionamento gay no Brasil”, conta Luisa Friese.

Assim, os arquétipos escolhidos na peça representam um amplo espectro social, que são igualados através do jogo de sedução que antecipa o sexo e de uma possível desilusão que sucede a ele. “Há uma constante discussão nos ensaios para deixarmos todas as questões contemporâneas e pertinentes à sociedade que estamos inseridos, nas nossas leis brasileiras, onde a comunidade LGBTQIAPN+ está amparada ou não. Dar profundidade a todos os personagens e tempo hábil para que, cada um deles, manifeste seus desejos, inseguranças e incoerências, tornando-os vivos e atuais”, observa o ator Michel Blois.

Para Thiago Catarino, os ensaios têm sido também um lugar seguro para propor situações menos óbvias do encontro sexual. “Queremos essa peça com bastante tesão, suor, muito beijo na boca, gemidos de prazer, tudo que existe nas nossas vidas, então é pra ir com sede de acontecimento, sempre procurando um nó para provocar certo estranhamento. É ter a pegação gostosa, mas também o desconforto, a solidão, a paranoia, junções de ingredientes comuns e talvez nem tão evidentes dos desejos da mesma maneira completa como surgem na nossa vida. Queremos que o público reflita sobre as tantas regras prévias à nossa existência e sobre o que há de natural e de socialmente construído nos temas da masculinidade”, explica.

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Esses desafios também são vividos pela codiretora Miwa Yanagizawa. “Eu mesma me vejo atualizando o meu olhar para quebrar esses parâmetros discutidos na peça tanto na minha vida quanto para o palco. A encenação tem um fluxo incessante, os atores se multiplicam em vários personagens, o mesmo lugar se torna um outro lugar a cada cena através da mudança de luz ou movimentação em cena. É um jogo teatral sensual – se refere aos sentidos – em que ora revelamos parte do acontecimento, ora o escancaramos. Prazeroso jogo. ‘O que Vão Dizer de Nós’ é uma ode à vida, um ‘me deixem em paz que eu quero viver!'”, enfatiza Miwa.

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